sábado, 30 de julho de 2016

Capítulo 11: O Criador


 Vida...

Que palavra maravilhosa! Tão frágil, tão persistente, tão inquieta. Sempre mudando de forma através dos tempos. E como mudou desde a última vez em que saí da matriz! Seres gigantescos que se tornaram menores, fracos que se tornaram fortes, belos que se tornaram não tão belos. Contudo, a mudança não se limitava na aparência física. O comportamento dos seres havia também se modificado.

A experiência e observação haviam me ensinado que criaturas com pares de olhos na frente da cabeça, eram os predadores. Os que possuíam olhos nas extremidades da cabeça eram as presas. Mas aqui, neste mundo restaurado, não era assim. Todos os seres viviam harmoniosamente, buscando entre os vegetais a energia necessária para sua sobrevivência.

Ligada à matriz estava à árvore da vida, cujos frutos tinham a capacidade de manter vivas as criaturas por incontáveis luzes, até mesmo aquelas que normalmente não costumam viver tanto tempo.

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Fazia muito tempo que eu não via uma criatura como ela. Estava muito deferente, mas reconheci assim que a vi se aproximando. Estava menor, menos forte, o corpo sem pelos, exceto o rosto ao redor da boca e acima, na cabeça.

Aproximou-se andando ereto sobre as duas patas, retirou uma das frutas da árvore da vida e comeu. Assim que engoliu do fruto, senti que eu estava conectado àquela criatura assim como há muito tempo, havia estado com seu antepassado.

- Sou o homem – disse ele, em pensamento.
- Sou a matriz, respondi.
- Fui orientado a vir aqui para lhe dar um nome – disse ele enquanto dava mais uma mordida no fruto – Rael será seu nome.
- Orientado por quem?
- Por meu Criador e teu Criador
- Quem é o Criador? Perguntei.
- Ele é o que é antes do mundo ser criado e continuará sendo depois de o mundo passar.
- Onde ele está?
- Em toda parte. Estamos mergulhados nele agora.
 - Como vou saber se o que você diz é verdade?
- Você já sabe, Rael... Você já sabe...
Ao dizer isso, deu mais uma mordida no fruto e foi caminhando, se afastando da árvore.
- Aonde vai? Perguntei, pois ainda tinha muitas perguntas para fazer.
-Ainda tenho muitas coisas para colocar nomes. É um trabalho exaustivo.
- E porque me chama Rael?

O homem não respondeu e nossa conexão terminou.

Durante muito tempo fiquei refletindo sobre essa nova revelação. Sobre este criador que existe desde a eternidade e que está em toda parte. Como o homem consegue entrar em contato com ele? Como um ser tão limitado no espaço e no tempo consegue compreender e se comunicar com um ser tão poderoso e ilimitado? De que forma isso acontecia? Achei tudo aquilo muito surpreendente.

O eterno ciclo de caos e ordem tinha, afinal, um maestro. Ele cria o caos e dele faz nascer a ordem. Ele criou a vida e todas as condições que a sustenta. Criou as condições para que a vida se modifique, sobreviva, cumpra o seu papel neste mundo e dê espaço para outras formas. Ele criou as estrelas, o grande luzeiro do dia e o grande luzeiro da noite. E ele me criou.

Eu... Eu

Palavra interessante.


Eu sou Rael.

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