segunda-feira, 18 de julho de 2016

Capítulo 9: Mais uma vez, o caos

De onde vem a noção de certo e errado? O que definiu os limites do permitido? Sigo em frente acreditando e realizando, julgando e descobrindo novos parâmetros e, assim, vou me imponto perante a realidade que me rodeia.

Quando o portador da matriz deu a ordem para que seus companheiros matassem todas aquelas fêmeas e filhotes, senti que precisava agir. Pela força da minha vontade, fui liberando energia da matriz, porém da forma mais lenta possível. As partículas que friccionavam o material condutor começaram a produzir um calor tão intenso que o portador foi obrigado a largar a pedra.

Ao tocar o solo, liberei toda a energia de uma vez. O estrondo que se seguiu fez a terra tremer. Toda a região se iluminou com uma forte luz azulada. A onda de choque liberada mandou para longe todos os que estavam a minha frente. Assustadas, as fêmeas e suas crias escondidas no topo das árvores fugiram. Menos uma, que no meio da confusão, voltou para pegar a matriz e fugir rapidamente, deixando para trás um confuso e, agora, desarmado líder.


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Todo este mundo está errado. Ou serei eu, como objeto estranho, a funcionar incorretamente? Tudo o que vejo pelos quatro cantos deste mundo é o forte subjugando o mais fraco: O macho que subjuga a fêmea e contra a sua vontade a possui.  O adulto que destrói as crias mais fracas de outras espécies e não raramente, os da sua própria espécie, o grupo mais forte e poderoso que elimina o grupo mais fraco sem nenhuma piedade.

As próprias forças motrizes do mundo parecem beneficiar somente os mais fortes enquanto incontáveis seres inocentes são banidos da existência.

O caos ...

É a única coisa que consigo ver.

Todavia, encontro a paz neste buraco em que aquela fêmea me enterrou.


E tudo fica escuro.

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