sábado, 6 de agosto de 2016

Capítulo 12: Obras primas



- O princípio da criação- disse-me o homem- não é o caos ou a ordem, mas o que já existia antes, na mente do Criador.
-Somos eternos porque já existíamos na mente da eternidade – comentei.
- Ou talvez vivamos agora na mente do Criador.
-Seres imaginários na mente do Único que de fato existe?
-Seres imaginários não possuem autonomia. Eles fazem aquilo que lhes é mandado por quem os imagina.
-Mas como ter certeza de que somos seres autônomos?

Ele apontou para a árvore ao lado. Aquela que ficava bem ao lado da árvore da vida. O homem havia me dito que ela se chamava “arvore do conhecimento do bem e do mal”. Era um pouco menor do que a árvore da vida e seus frutos eram menores e marrons.

- Foi me dito que posso provar do fruto de qualquer árvore – disse o homem – menos do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Se nós respeitarmos essa restrição, jamais teremos contato com o mal que existe fora deste lugar e iremos expandir nossa influencia para todo o mundo.

-“Nós?”

O homem sorriu. E apontou para a outra direção. Uma fêmea da mesma espécie do homem foi se aproximando, caminhando lentamente. Ele disse-me que o nome dela seria “mulher”.

Nos dias que se seguiram, homem e mulher trabalharam prazerosamente dando nomes para todos os elementos da criação. Disseram-me que o período de luz, chamava-se “dia” e de trevas chamava-se “noite”. O grande luzeiro do dia chamaram “Sol” e o da noite chamaram “Lua”.  Também me disseram que chamariam de “animais”, a todos os seres vivos que se moviam. E cada tipo de animal recebeu o seu próprio nome: havia os “insetos”, os “répteis”, as “bestas feras”, os “peixes”. Os seres imóveis receberam o nome de “vegetais” e caca tipo também recebeu o seu próprio nome: “árvores”, “grama”, “flores”. Cada coisa recebeu o seu próprio nome em um trabalho de vários dias e várias noites.

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De alguma forma muitas coisas já me pareciam por demais conhecidas, como se eu já tivesse experimentado uma existência antes da existência. Comecei a pensar neste Criador e no papel que eu estava desempenhando dentro de tudo o que estava acontecendo. Cheguei à conclusão de que a minha função era de certa forma fundamental, mas não tanto quanto a do homem e da mulher. De fato, eles eram a obra prima de toda a criação e tudo o que existe foi criado para auxiliá-los nesta tarefa. Qual seria essa tarefa?

Fiquei pensando nisto por longos períodos e cheguei à conclusão de que esta resposta ainda não estava pronta para ser dada.

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