- O princípio da criação-
disse-me o homem- não é o caos ou a ordem, mas o que já existia antes, na mente
do Criador.
-Somos eternos porque já
existíamos na mente da eternidade – comentei.
- Ou talvez vivamos agora na
mente do Criador.
-Seres imaginários na mente do
Único que de fato existe?
-Seres imaginários não possuem
autonomia. Eles fazem aquilo que lhes é mandado por quem os imagina.
-Mas como ter certeza de que
somos seres autônomos?
Ele apontou para a árvore ao
lado. Aquela que ficava bem ao lado da árvore da vida. O homem havia me dito
que ela se chamava “arvore do conhecimento do bem e do mal”. Era um pouco menor
do que a árvore da vida e seus frutos eram menores e marrons.
- Foi me dito que posso provar do
fruto de qualquer árvore – disse o homem – menos do fruto da árvore do
conhecimento do bem e do mal. Se nós respeitarmos essa restrição, jamais
teremos contato com o mal que existe fora deste lugar e iremos expandir nossa
influencia para todo o mundo.
-“Nós?”
O homem sorriu. E apontou para a
outra direção. Uma fêmea da mesma espécie do homem foi se aproximando,
caminhando lentamente. Ele disse-me que o nome dela seria “mulher”.
Nos dias que se seguiram, homem e
mulher trabalharam prazerosamente dando nomes para todos os elementos da
criação. Disseram-me que o período de luz, chamava-se “dia” e de trevas
chamava-se “noite”. O grande luzeiro do dia chamaram “Sol” e o da noite
chamaram “Lua”. Também me disseram que
chamariam de “animais”, a todos os seres vivos que se moviam. E cada tipo de
animal recebeu o seu próprio nome: havia os “insetos”, os “répteis”, as “bestas
feras”, os “peixes”. Os seres imóveis receberam o nome de “vegetais” e caca
tipo também recebeu o seu próprio nome: “árvores”, “grama”, “flores”. Cada
coisa recebeu o seu próprio nome em um trabalho de vários dias e várias noites.
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De alguma forma muitas coisas já
me pareciam por demais conhecidas, como se eu já tivesse experimentado uma
existência antes da existência. Comecei a pensar neste Criador e no papel que
eu estava desempenhando dentro de tudo o que estava acontecendo. Cheguei à
conclusão de que a minha função era de certa forma fundamental, mas não tanto
quanto a do homem e da mulher. De fato, eles eram a obra prima de toda a
criação e tudo o que existe foi criado para auxiliá-los nesta tarefa. Qual
seria essa tarefa?
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