segunda-feira, 25 de julho de 2016

Capítulo 10: Da ordem ao caos.


O caos...

É a matéria prima da criação, o início de tudo. Tão necessária quanto à ordem.

Toda a realidade que nos cerca é na verdade um palco, onde a ordem e o caos bailam uma dança cósmica.

A ordem é o caminho a ser trilhado. O objetivo de tudo o que existe. O caos é o saneador que sempre surge quando a ordem perde o seu vigor. Depois do caos, que a tudo vence, derruba e flagela, sempre há um novo começo e a ordem inicia o seu trabalho, transformando tudo e todos.

Sou um elemento de caos e de ordem. De caos, para derrotar a ordem caquética e de ordem, para começar tudo novamente fornecendo a energia necessária para o trabalho. Meu corpo é essa matriz, capaz de gerar energia da vida e da morte. O corpo é controlado pela mente. Com ela eu controlo a energia que pelo corpo é criado. Energia de vida e de morte.

Nem percebi quando comecei a fornecer energia para outra forma de vida. Quando dei por mim, estava envolto em uma grande raiz e, acima do solo, desenvolvia-se uma árvore que prometia ser um esplendor de beleza.

Com a ajuda da matriz em sete dias, a árvore se tornou a maior e a mais bela da região.  Seus frutos eram de um espetacular azul, seu tronco, forte e resistente. Os galhos eram fortes e imponentes, deixavam à mostra as folhas vistosas. Distinta e imponente. Nos sete dias seguintes, outra árvore cresceu ao lado. Menor e menos majestosa, mas suficientemente bela e especial para que nenhum ser ousasse se aproximar dela e tocar em seus frutos.



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Nos dias que se seguiram, outras vegetações foram surgindo: árvores de diversos tipos, carregadas de frutos, uma grama verdíssima e tufos de relva que se formavam em várias localidades.

A água deslizava tranquilamente por entre um rio que regava toda a vegetação circundante, se dividindo em quatro mais a frente. Era um maravilhoso lugar. Novamente, eu havia encontrado a ordem em meio ao caos, onde toda a violência, toda a injustiça e toda a morte estavam do lado de fora. Ali, imperava a harmonia. Não havia predador e nem vítimas. Como um acordo selado entre todos os seres, os vegetais eram a fonte de alimento. Alimentavam-se também dos frutos daquela árvore, cuja raiz estava conectada à matriz. Destes frutos, grandes e azuis, tiravam o vigor e a vida, muito superiores aos dos seres que estavam do lado de fora deste surpreendente lugar.

Uma centelha de felicidade se formou em meu íntimo que nos últimos tempos fora tão castigado pelo desespero e desolação. Um novo mundo se iniciara e eu estava ansioso para começar a explorá-lo e aprender sobre ele.

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