O caos...
É a matéria prima da criação, o início
de tudo. Tão necessária quanto à ordem.
Toda a realidade que nos cerca é
na verdade um palco, onde a ordem e o caos bailam uma dança cósmica.
A ordem é o caminho a ser
trilhado. O objetivo de tudo o que existe. O caos é o saneador que sempre surge
quando a ordem perde o seu vigor. Depois do caos, que a tudo vence, derruba e
flagela, sempre há um novo começo e a ordem inicia o seu trabalho, transformando
tudo e todos.
Sou um elemento de caos e de
ordem. De caos, para derrotar a ordem caquética e de ordem, para começar tudo
novamente fornecendo a energia necessária para o trabalho. Meu corpo é essa
matriz, capaz de gerar energia da vida e da morte. O corpo é controlado pela
mente. Com ela eu controlo a energia que pelo corpo é criado. Energia de vida e
de morte.
Nem percebi quando comecei a
fornecer energia para outra forma de vida. Quando dei por mim, estava envolto
em uma grande raiz e, acima do solo, desenvolvia-se uma árvore que prometia ser
um esplendor de beleza.
Com a ajuda da matriz em sete
dias, a árvore se tornou a maior e a mais bela da região. Seus frutos eram de um espetacular azul, seu
tronco, forte e resistente. Os galhos eram fortes e imponentes, deixavam à
mostra as folhas vistosas. Distinta e imponente. Nos sete dias seguintes, outra
árvore cresceu ao lado. Menor e menos majestosa, mas suficientemente bela e
especial para que nenhum ser ousasse se aproximar dela e tocar em seus frutos.
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Nos dias que se seguiram, outras
vegetações foram surgindo: árvores de diversos tipos, carregadas de frutos, uma
grama verdíssima e tufos de relva que se formavam em várias localidades.
A água deslizava tranquilamente
por entre um rio que regava toda a vegetação circundante, se dividindo em
quatro mais a frente. Era um maravilhoso lugar. Novamente, eu havia encontrado
a ordem em meio ao caos, onde toda a violência, toda a injustiça e toda a morte
estavam do lado de fora. Ali, imperava a harmonia. Não havia predador e nem
vítimas. Como um acordo selado entre todos os seres, os vegetais eram a fonte
de alimento. Alimentavam-se também dos frutos daquela árvore, cuja raiz estava
conectada à matriz. Destes frutos, grandes e azuis, tiravam o vigor e a vida,
muito superiores aos dos seres que estavam do lado de fora deste surpreendente
lugar.
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