Sou uma arma. Programado para
defender quem tiver a mínima condição para utilizar os meus recursos. Essa foi à
conclusão a que cheguei até aqui. Será que fui criado como uma arma? Por quem?
Ou será que sou apenas uma forma diferente de vida, que necessita viver em
simbiose com outros seres?
Desde que e fui achado por essa
criatura, sinto como se estivesse conectado a ela. Sinto o que ela sente, vejo
o que ela vê, só mantendo, contudo, a minha autonomia. Ajo se assim quiser.
Tudo o que preciso fazer é querer e uma energia sai do interior da matriz. Por
enquanto, tudo o que consigo fazer é projetar raios e gerar campos de força,
mas acho que a matriz é capaz de fazer muito mais. De alguma forma a energia
irradiada é capaz de alimentar outros seres vivos e uma longa exposição ela,
aumenta a força e a resistência.
E assim, o portador da matriz
teve um prolongamento do seu tempo de vida. Conseguiu criar e manter um grupo
que aumentou se tornando um dos maiores senão o maior das regiões por onde
passou. Também caçou e destruiu o maior predador de sua espécie, o terrível
felino. Com a matriz em suas mãos, que nunca mais largou depois do incidente
com o antigo líder, tornou-se temido e respeitado.
Quanto a mim, vivi a minha vida
do ponto de vista dele. Protegi-o, ajudei-o a conquistar, a vencer todos os
obstáculos e afugentar todos os inimigos, mesmo sem saber o porquê, pois
aprendi a importância de se ter um objetivo e o meu, era o de testar minhas
capacidades e limites.
****************
Minhas capacidades e limites...
Dei de cara com ela, não muito
tempo depois.
A escuridão havia caído já há
algum tempo. Mas ele não queria parar. O grupo havia crescido demais e
precisava desesperadamente de novas áreas, devido à rapidez com que consumiam
os recursos da região.
Com cautela, os machos do grupo iam
à frente, enquanto as fêmeas e suas crias os seguiam igualmente cuidadosas.
Normalmente, o grupo não e deslocava assim no escuro, quando eram mais
vulneráveis aos predadores. Contudo, a necessidade obrigava. E, além disso,
estavam confiantes no seu líder, que ia à frente de todos suspendendo a matiz
que iluminava o caminho com sua luz azul.
Em meio à penumbra, o silêncio só
era quebrado pelo som de centenas de passos esmagando a vegetação seca. Súbito,
o portador da matriz parou de caminhar e se colocou em alerta, movimento que
foi copiado por todos os machos do grupo que estavam à frente. Com a luz que
saia da matriz, ele tentava iluminar a vegetação um pouco mais alta a sua
frente e teve um sobressalto ao se deparar com um rosto feroz que o encarava
ameaçadoramente.
Uma furiosa e robusta criatura,
muito semelhante aos indivíduos do grupo ao qual eu acompanhava, saltou sobre a
vegetação, empurrando o portador da matriz, derrubando-o. De súbito, várias
outras criaturas começaram a surgir, efetuando um rápido ataque aos machos do
grupo.
Desde o antigo líder, ninguém
havia tido a coragem de atacá-lo daquela forma. Não com a matriz em sua posse.
Agarrando a matriz com força, desferiu um golpe no crânio de seu inimigo, que
caiu inerte no solo.
Aquela espécie de criatura,
apesar de semelhantes aos que eu já conhecia, era distinta em algumas coisas.
Seu crânio era maior, seu rosto era mais largo e possuíam menos pêlos no corpo.
Ele ergueu a matriz, que brilhou
com sua luz intensamente azul. Fui direcionando os raios que ribombaram contra
os machos do grupo adversário, derrubando-os um a um. Foram todos mortos,
instantaneamente.
Eliminado a ameaça, nossa jornada
continuou em frente. Um gruído estridente atrás de nós avisava para as fêmeas e
as crias, que podiam sair de seus esconderijos.
Batalhas como essa, em busca de
regiões, eram raras em uma população nômade. Todavia, quanto maior um grupo,
mais rápido os recursos do local eram consumidos, aumentando a frequência dos
deslocamentos. E, vez por outra, topávamos com outros grupos pouco afeitos a
compartilhar os escassos recursos, tampouco em procurar outra região e matar de
fome seus filhotes em um processo que poderia demorar vários dias. Neste caso,
a luta era a única alternativa de sobrevivência.
Vigilantes e cautelosos, o grupo
avançou. O luzeiro, grande e redondo, brilhando imponentemente, circundado
pelas inúmeras estrelas afixadas no firmamento, parecia que nos observava,
curioso em saber como terminaria nossa jornada.
Novamente, e repentinamente, o
líder parou, sinalizando para que todos fizessem o mesmo. Apontou a matriz para
o topo de um grupo de árvores logo adiante. A pedra brilhou intensamente e a
luz azul revelou um grupo de fêmeas e filhotes, acompanhantes daqueles machos
que haviam nos atacado há instantes atrás, e que agora jaziam.
O líder se aproximou
vagarosamente. Dava para ver as expressões de medo daquelas fêmeas, apoiadas
nos galhos, segurando seus filhotes igualmente amedrontados. Apontou a matriz para
eles. Senti a sua intenção, que barrei no mesmo instante. Não vou matar
filhotes! Não quero fazer isso! Ele olhou confuso para a pedra. Repetiu o
gesto, mas nada aconteceu.
Frustrado e furioso, ele deu
ordens para que seus companheiros matassem todos.
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