sexta-feira, 15 de julho de 2016

Capitulo 8: Limites


Sou uma arma. Programado para defender quem tiver a mínima condição para utilizar os meus recursos. Essa foi à conclusão a que cheguei até aqui. Será que fui criado como uma arma? Por quem? Ou será que sou apenas uma forma diferente de vida, que necessita viver em simbiose com outros seres?

Desde que e fui achado por essa criatura, sinto como se estivesse conectado a ela. Sinto o que ela sente, vejo o que ela vê, só mantendo, contudo, a minha autonomia. Ajo se assim quiser. Tudo o que preciso fazer é querer e uma energia sai do interior da matriz. Por enquanto, tudo o que consigo fazer é projetar raios e gerar campos de força, mas acho que a matriz é capaz de fazer muito mais. De alguma forma a energia irradiada é capaz de alimentar outros seres vivos e uma longa exposição ela, aumenta a força e a resistência.

E assim, o portador da matriz teve um prolongamento do seu tempo de vida. Conseguiu criar e manter um grupo que aumentou se tornando um dos maiores senão o maior das regiões por onde passou. Também caçou e destruiu o maior predador de sua espécie, o terrível felino. Com a matriz em suas mãos, que nunca mais largou depois do incidente com o antigo líder, tornou-se temido e respeitado.

Quanto a mim, vivi a minha vida do ponto de vista dele. Protegi-o, ajudei-o a conquistar, a vencer todos os obstáculos e afugentar todos os inimigos, mesmo sem saber o porquê, pois aprendi a importância de se ter um objetivo e o meu, era o de testar minhas capacidades e limites.

****************
Minhas capacidades e limites...

Dei de cara com ela, não muito tempo depois.

A escuridão havia caído já há algum tempo. Mas ele não queria parar. O grupo havia crescido demais e precisava desesperadamente de novas áreas, devido à rapidez com que consumiam os recursos da região.

Com cautela, os machos do grupo iam à frente, enquanto as fêmeas e suas crias os seguiam igualmente cuidadosas. Normalmente, o grupo não e deslocava assim no escuro, quando eram mais vulneráveis aos predadores. Contudo, a necessidade obrigava. E, além disso, estavam confiantes no seu líder, que ia à frente de todos suspendendo a matiz que iluminava o caminho com sua luz azul.

Em meio à penumbra, o silêncio só era quebrado pelo som de centenas de passos esmagando a vegetação seca. Súbito, o portador da matriz parou de caminhar e se colocou em alerta, movimento que foi copiado por todos os machos do grupo que estavam à frente. Com a luz que saia da matriz, ele tentava iluminar a vegetação um pouco mais alta a sua frente e teve um sobressalto ao se deparar com um rosto feroz que o encarava ameaçadoramente.

Uma furiosa e robusta criatura, muito semelhante aos indivíduos do grupo ao qual eu acompanhava, saltou sobre a vegetação, empurrando o portador da matriz, derrubando-o. De súbito, várias outras criaturas começaram a surgir, efetuando um rápido ataque aos machos do grupo.  

Desde o antigo líder, ninguém havia tido a coragem de atacá-lo daquela forma. Não com a matriz em sua posse. Agarrando a matriz com força, desferiu um golpe no crânio de seu inimigo, que caiu inerte no solo.

Aquela espécie de criatura, apesar de semelhantes aos que eu já conhecia, era distinta em algumas coisas. Seu crânio era maior, seu rosto era mais largo e possuíam menos pêlos no corpo.

Ele ergueu a matriz, que brilhou com sua luz intensamente azul. Fui direcionando os raios que ribombaram contra os machos do grupo adversário, derrubando-os um a um. Foram todos mortos, instantaneamente.

Eliminado a ameaça, nossa jornada continuou em frente. Um gruído estridente atrás de nós avisava para as fêmeas e as crias, que podiam sair de seus esconderijos.

Batalhas como essa, em busca de regiões, eram raras em uma população nômade. Todavia, quanto maior um grupo, mais rápido os recursos do local eram consumidos, aumentando a frequência dos deslocamentos. E, vez por outra, topávamos com outros grupos pouco afeitos a compartilhar os escassos recursos, tampouco em procurar outra região e matar de fome seus filhotes em um processo que poderia demorar vários dias. Neste caso, a luta era a única alternativa de sobrevivência.

Vigilantes e cautelosos, o grupo avançou. O luzeiro, grande e redondo, brilhando imponentemente, circundado pelas inúmeras estrelas afixadas no firmamento, parecia que nos observava, curioso em saber como terminaria nossa jornada.

Novamente, e repentinamente, o líder parou, sinalizando para que todos fizessem o mesmo. Apontou a matriz para o topo de um grupo de árvores logo adiante. A pedra brilhou intensamente e a luz azul revelou um grupo de fêmeas e filhotes, acompanhantes daqueles machos que haviam nos atacado há instantes atrás, e que agora jaziam.

O líder se aproximou vagarosamente. Dava para ver as expressões de medo daquelas fêmeas, apoiadas nos galhos, segurando seus filhotes igualmente amedrontados. Apontou a matriz para eles. Senti a sua intenção, que barrei no mesmo instante. Não vou matar filhotes! Não quero fazer isso! Ele olhou confuso para a pedra. Repetiu o gesto, mas nada aconteceu.

Frustrado e furioso, ele deu ordens para que seus companheiros matassem todos.

Se existe uma coisa que sempre me incomodou, são os mais fortes ameaçando os mais fracos...

Nenhum comentário: