sexta-feira, 17 de junho de 2016

Capítulo 2: Um novo lar

Posso sentir a onda de calor que se alastra, seguida de uma gigantesca onda de energia que evidencia um impacto de nível monstruoso. Não sei contra o que bati, mas não deve ter sobrado nada.

Sinto a energia sonora se espalhando violentamente e o invólucro mais externo que me revestia se espatifando. Sou arremessado para longe e tudo o que consigo ver através da pedra azulada que me envolve, única coisa que resistiu ao impacto, é uma densa poeira escura. Ondas de energia me invadem. O involucro que me retém, emitindo uma luz azul intensa, é como se estivesse se alimentando de toda aquela força causada pelo impacto.


Pela primeira vez consigo intuir a passagem do tempo. É estranha a sensação de ficar estático após tanto tempo perambulando sabe-se lá por onde. Ainda não dá para saber onde fui parar, pois só consigo ver uma densa cortina de poeira preta. Subitamente, sou surpreendido por um sacolejo violento, explosões e atividade vulcânica. Novamente o caos se instala ao meu redor. Algo está me arrastando. Conheço isso... é água e também fogo....

Pedaços de rocha incandescente caem próximos a mim. Aos poucos, vou sendo coberto por toneladas de detritos.  E tudo fica escuro novamente.

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Eu.... Eu... palavra interessante.

Sensações de ter sido alguém um dia.  De ter tido um vida diferente. De um dia ter sido livre. E então, nasce um impulso. Uma avassaladora vontade de ser livre. Luto para me libertar de uma forma que não compreendo. Apenas luto. Faço um esforço monumental.

Uma forte claridade irrompe. Sinto que estou me movendo, escapando do invólucro azulado que me prende. Mas também sinto algo me puxando. Seja lá o que for, não quer que eu saia. Esforço-me ainda mais.  A angustia toma conta de mim. Avanço lentamente, lutando, me libertando.  E venço. O que quer que estivesse me puxando, desistiu. Estou livre.

Estranhamente familiar a paisagem que se põe à minha frente. Passeando, vislumbro rios, riachos, córregos vegetação rasteira. Animais! Pequenos animais perambulando alegremente em meio a grama! Continuo em frente. Ultrapasso montanhas e planícies. Risco o céu azul com velocidade. Atravesso sem dificuldade um rochedo e saio do outro lado. Estou feliz! Estou livre! Passo no meio de um grupo de árvores e posso ver aves multicoloridas sobrevoando acima delas.
Um sentimento muito bom se apodera de mim. Que lugar incrível!



Súbito, vou perdendo velocidade. Voar se torna cada vez mais difícil. Por mais que eu me esforce para seguir em frente, acabo parado no ar e, então, sou puxado para trás com violência.

Num piscar de olhos estou de volta à minha prisão azul.

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