O caos. É tudo do que me
lembro do princípio. Uma imensa massa luminosa,
agitando-se freneticamente. Pensamentos confusos. É difícil focar em algo, até
porque duvido que exista algo para focar. O escuro. Quando “desperto”, o
ambiente que se apresenta é totalmente diferente. Vejo laços, inúmeros pares de
cordões movimentando-se como pêndulos. Confusão. Escuro novamente.
Quando volto, o ambiente está menos confuso. Sinto uma necessidade enorme de aprender. Uma
fome incontrolável de conhecimento. Movido unicamente pelo desejo, me aproximo
de um dos milhares de pares de laços espalhados ao meu redor. Observo-os com
atenção. Vislumbro o seu brilho levemente acinzentado e o seu vibrar.
Percebo que, conforme cada corda
do par vibra, objetos surgem repentinamente e são lançados com grande
velocidade. Curioso. O que haveria de ser isso? Percebo que milhares de
milhares de objetos são lançados no espaço.
Cada laço vibra de uma forma
diferente e produz objetos levemente distintos dos outros. Com o tempo, todo o
ambiente está coberto por esses elementos, que começam a colidir uns com os
outros, dando origem a novos objetos. Logo, todo o ambiente está saturado desses elementos. Uma confusão se instaura, com milhares de objetos se batendo violentamente.
Novamente o caos. Súbito clarão.
E novamente o escuro.
********************
“Eu”... “Eu”... Que palavra
interessante. Pela primeira vez me reconheço como alguém e noto que o que está
a minha volta não faz parte de mim, como pensava. Ao meu redor, uma nuvem azul
brilhante. Já não consigo me mover como antes e isso não me incomoda. Sinto-me
extremamente confortável como estou.
Percebo que o ambiente mudou completamente. Já
não consigo ver aqueles curiosos laços, movimentando-se e vibrando. Ao invés
disso, através da nuvem que me envolve, observo um imenso espaço repleto de
objetos e luz. Embora imóvel, a nuvem me leva adiante, assim como tudo o que
está ao meu redor.



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