quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Capítulo 14: Serpente


Nenhuma criatura que habitava fora do Jardim conseguia entrar. Exceto uma. Aparentemente, ela tinha permissão para entrar e sair quantas vezes quisesse. Homem e Mulher a chamavam “Serpente”.
Todos os dias Serpente entrava no Jardim e passava muito tempo conversando com o Homem. Depois, voltava para o seu lugar, fora do Jardim, onde reinava o caos, e para onde eu jamais gostaria de voltar.
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Nunca me atrevi a perguntar o teor das conversar entre o homem e a serpente. Estava mais interessado em aprender sobre o Criador. Todos os dias Homem e Mulher sentavam a beira da árvore da vida, comiam de seu fruto revigorante e, ambos conectados a mim, passávamos tardes e noites inteiras conversando sobre as coisas do Celestial. E, assim, aprendi muito sobre Ele e sua criação.

Aprendi sobre a afinadíssima harmonia que existe acima do céu e embaixo da terra. Que todas as criaturas tem uma função a desempenhar e, que essa função, faz com que tudo funcione no mundo em que vivemos. Entendi o papel do homem e da mulher como administradores da criação. Acompanhei com interesse o nascimento e o desenvolvimento de suas crias, entendi a grandiosa missão que o Criador havia dado àquela espécie renovada: levar a harmonia do Jardim para os quatro cantos daquele mundo decaído.
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Vida...

Palavra maravilhosa.

Ela deve ser protegida e perpetuada. Meu papel no mundo é preservá-la dentro do Jardim,  fazer com que sua influência cresça e elimine o mal que existe no mundo.

Enquanto tiverem a árvore da vida e a energia da matriz que a prolonga, não existe uma forma de esta missão não dar certo.

No dia-a-dia naquele lugar magnífico, apenas uma coisa me tirava a paz: Serpente. Não poderia confiar em nada que vivesse fora do Jardim e não gostava das longas conversas que aconteciam entre ela e o Homem, muito embora desconhecesse o teor de tais diálogos.


Não demorou e Serpente mudou o foco de suas conversas, pois havia desistido do Homem para voltar-se à mulher.